Entrevistas à campeã mundial de júniores

Entrevista para a Ass. Voo Livre Madeira e para o telejornal da RTP Madeira
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Ivone Silva no aeroporto de Lisboa com a medalha do Mundial de Júniores Feminino

Ivone, passadas apenas algumas horas após a confirmação do título mundial, qual é a primeira emoção que te vem à cabeça?

Estou muito contente, foi uma semana positiva em termos individuais e também coletivos, porque apesar do título individual eu e o João (Pinheiro) conseguimos um bom resultado em equipas, um sétimo lugar, sendo a primeira nação com apenas dois elementos a pontuar.

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Ivone Silva e o Joao Pinheiro, participantes no Mundial de Júniores 2026

Há dois anos estavas a dar os primeiros passos na competição. Imaginavas que estarias a celebrar um título mundial tão rapidamente?

De facto não são dois anos é apenas um. Há um ano atrás estava a fazer a minha primeira prova de hike and fly, a segunda prova foi em outubro, em Espanha. Portanto, em apenas um ano? Não, de todo tinha esta perspetiva, não tão rapidamente pelo menos.

É sinal de um bom trabalho, de toda uma estrutura que me tem ajudado entre amigos, família, colegas pilotos e a própria Federação.

Entraste para a última manga na liderança feminina. Como geriste a pressão de saber que o título dependia das últimas horas de voo?

Muito honestamente estava tranquila, pois sabia que a pressão tinha de estar de todos os lados, menos do meu. A rapariga que estava em segundo é que tinha de arriscar mais, eu só tinha de gerir o voo dela.

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Medalha do Mundial de Júniores

Em que momento da prova percebeste que tinhas a vitória final à vista?

Demorou a perceber, porque a última manga foi parada, portanto os resultados não foram oficiais durante algum tempo. Quando a manga é parada, eles têm de fazer uns cálculos adicionais, tendo em conta a hora e a altura em que os pilotos estavam no momento da paragem.

Portanto já tinha aterrado, arrumado as coisas, já estava dentro da carrinha e só na viagem de volta é que nos confirmaram que os resultados eram oficiais.

Qual foi a manga mais difícil ou mais decisiva para a conquista deste título?

Difícil, em termos de lidar com ela, foi a manga da sexta-feira (Manga 5 - 28 Agosto 2026), porque tinha estado a semana toda a controlar a rapariga que estava em segundo lugar e pela primeira vez estava a tentar fazer um voo não tão a pensar no resultado feminino, mas no overall, em que gostaria muito de ter tido mais umas posições.
Correu super bem mas a poucos kms do fim vim parar ao chão após ter feito a prova toda com o grupo da frente.

A mais decisiva foi definitivamente a manga do segundo dia (Manga 2 - 25 Agosto 2026), em que consegui ficar com muitos pontos de vantagem, que os mantive até ao fim. Foi uma manga em que cheguei muito à frente das outras raparigas e isso ao fim ao cabo foi o que fez a diferença, foi a manga do segundo dia, porque o resto da prova foi sempre a controlar.

Este ano conquistaste o Campeonato Nacional Feminino e agora o Mundial de Juniores. O que mudou na tua forma de voar e preparar as provas?

Embora não hajam duas provas iguais, acredito que tem de haver uma base sólida na preparação das mesmas.

Para mim os principais fatores acabam por ser a antecipação na preparação do material, a alimentação/hidratação e nunca descurar a parte mental que no ar acaba sempre por ser o único inimigo.

A participação no Campeonato da Europa, também realizado em Krushevo, ajudou a alcançar este resultado no Mundial? De que forma?

Sim, embora a participação no Campeonato da Europa tenha ficado bem aquém das minhas expectativas, por diversas razões, foi importante para conhecer o local, como funciona a meteorologia, conhecer também alguns pilotos que tal como eu e o João estiveram em ambas as provas.

Embora a meteorologia fosse completamente diferente de uma semana para a outra, o conhecimento do terreno é sempre benéfico.

Sendo natural dos Canhas, que significado tem levares o nome da Madeira ao topo do parapente mundial?

De todo alguma vez pensei que tal poderia acontecer. Ser dos Canhas é provavelmente a razão pela qual comecei a voar, desde pequenina que via parapentes a passar pela da janela, ter aprendido e voado na Madeira todos estes anos, sem dúvida que tem um carinho especial.

É o sítio onde vivi e onde cresci e deixa-me muito contente poder trazer este título para casa.

Que mensagem gostarias de deixar aos jovens madeirenses que sonham praticar parapente ou outras modalidades de aventura?

Gostaria de lhes dizer que o parapente ou qualquer outro desporto de aventura, muitas vezes é comentado como uma modalidade de risco e por diversas razões só se ouve falar da mesma quando acontece alguma coisa menos boa.

Mas o parapente, sendo praticado com o instrutor certo, com boas condições meteorológicas, com equipamento adequado, o risco é controlado. É claro que é preciso ter atenção, como qualquer outra coisa. Não é propriamente jogar xadrez como podem imaginar, mas se as coisas forem feitas de uma maneira progressiva com cabeça e dedicação, acho que qualquer um consegue progredir de forma segura.

Depois de conquistar um título mundial, quais são os próximos sonhos e objetivos para os próximos anos?

Isto ainda é tudo muito fresco, mas para os próximos anos o objetivo passa essencialmente por melhorar o ranking a nível mundial, tentar ir ao maior número de provas possíveis para ganhar experiência, porque uma coisa é voar a lazer, outra coisa é voar em provas, é completamente diferente.

E acima de tudo me divertir, que ao fim de contas é o que importa.

Entrevista para a RTP Madeira exibida a 3 de Setembro 2026

Fonte da reportagem: Telejornal RTP Madeira, 2ª parte - RTP Play

Fotos: Federação Portuguesa de Voo Livre